terça-feira, 6 de setembro de 2011

cópia gordurosa roscofe



se há governos que tencionam aumentar os impostos sobre os alimentos gordurosos, como a Hungria e a Dinamarca, para combate da obesidade e, desta feita, diminuir os gastos de saúde - outros há, como o nosso, que quererá copiar a ideia apenas para arrecadar receitas. senão vejamos a coisa numa perspectiva obesa: se o povo anda sem guito, procura almoçar ou jantar barato. e o que é que é barato? é a comida de plástico. então, o aumento dos impostos nos plásticos comestíveis só vai trazer duas coisinhas para o povo: o aumento de peso e o aligeiramento, ainda mais acentuado, dos bolsos - é que ainda continuará a ficar mais caro preparar um jantar de fritos, ao preço que anda a luz, o gás e a água, em casa. ademais - quem é dos fritos, é dos fritos e há-de morrer assado no espeto se mudar para os cozidos e grelhados.

(fazer cópias de ideias inteligentes de economias que em nadinha se equiparam à nossa é, no mínimo, de uma magreza mental colossal)

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

rodas do mundo

são vidas, umas sobre rodas erguidas e outras de rodas para o ar, na vida de um mundo que vive, não pára, do pedalar.

da fórmula do provérbio sábio

fazer o luto por aquilo que já, ou nunca, tivemos é estranho. e arde. e se o que arde cura e o que aperta segura, acabei de encontrar a fórmula mágica: deixamos, de segurar, cair - começa a arder e cura.

domingo, 4 de setembro de 2011

i just write to say i love u, música

a música possui um poder incrível, inigualável, mágico. se é verdade que gostar desta ou daquela depende do estado de espírito também não o é menos que é ela que tantas vezes o condiciona. a música remete-nos para o nariz, para os olhos, para a boca, para as mãos, para a vida. e senti-la faz-nos, tantas vezes, sorrir; e senti-la faz-nos, tantas vezes, chorar. a música é, assim, uma espécie de bálsamo para a alma porque não é à toa que nos massaja memórias ou nos desperta desejos. e prolonga-se, o seu efeito, muitas vezes, pelo dia dentro ou por vários até. e depois surge outra que desmontamos até à exaustão para lhe beber o trago da alegria ou da tristeza: dissecamos a música para apurarmos emoções contidas, guardadas ou novas. musicar é tão ou mais importante do que comer ou beber ou defecar - não porque desse verbo depende a sobrevivência - por nos remeter para a essência do que será viver.

e porque viver começa por dentro do mundo do mundo, musicar é preciso.

(hoje, tenho a certeza que não foi por acaso, ouvi esta música. estava a precisar dela para recordar onde a costumava ouvir, rumo à escola na frequência da festival com o meu pai, e transportá-la, fazer a ponte, para os tempos de agora e ganhar força com o que significa ser pai e dar e ser filha e receber. e nem sequer interessa se gosto, sim: gosto muito, ou não - importa que por algum motivo me marcou. obrigada por existires, música.)

sábado, 3 de setembro de 2011

pequenas grandes preocupeixões

tomar conta de peixes é um sobressalto constante: de vez em quando eles ficam quietos, sem se mexerem, e lá vou eu saber se morreram. no outro dia dei-lhes uma goma, por ter percebido algum azedume no seu nadar, mas, depois, passei o dia preocupada com a diabetes.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

lu(z)cidez

ciclone de luz suspensa, pensa, escuridão por relatar: são os homens, pensa, que fazem das trevas os caminhos que o vento, pensa, faz clarear.

qualquer - a palavra que faz a diferença

a fidelidade está em vias de extinção - a capacidade de se ser verdadeiro e leal com quem se está, não por princípio, não por opção, não por se estar com o "não é bem isto mas é melhor que nada", por se sentir que com quem se está é com quem preenche tudo o que é estar. e perceber e sentir que até o homem que vive com a mãe de uma grande amiga, por convivência amigos também, está a mostrar e a forçar o estreitamento de relações comigo à margem da mulher com quem está - a mãe de uma amiga que é amiga também. a resolução do problema passa, obviamente com ele, por não lhe dar importância, por recusar os seus convites, por fazer de conta que esse seu interesse é apenas de carinho por afinidade. a questão desconfortável para mim, que é o que interessa, é o nojo que sinto por mentiras, por mostrar que tudo está bem, e pela sua deslealdade com ela em detrimento da sua vontade - não correspondida por sentimento, por vontade e também por opinião arraigada - comigo. quem não está bem só tem de verdadar e dispensar; é o ter de encará-los sem espontaneidade ou de encetar o distânciamento necessário para sucumbir ao fingimento. e a redoma fecha-se mais um pouco. sair de casa para alguns sítios é, cada vez mais, um perigo: não por poder ser atropelada ou roubada mas simplesmente por ser apenas mulher sem ser uma mulher qualquer.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

pénis de amor

ouvir e ver por aí, pensar, digerir, e arrotar por aqui. todo o amor que só repousa na cama é um amor doente -
o amor também é vertical, concluo. e agora, isto não estava previsto no arroto, a propósito da verticalidade, lembrei-me que
quando o amor e o sexo andam em sintonia
a imagem de uma erecção é perfeita
o amor é um pénis gigante, bem duro,
que assim se levanta e assim se deita

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

coerência humana Khadafiana

estou sim, por onde andas, tenho uma notícia terrível para te dar - nem sabes o que está a acontecer: a tua mulher e a tua filha estão a ser violadas ininterruptamente.
faz-me um favor, e aceita como uma ordem, amigo: coloca os nomes delas na lista das mulheres que faziam parte das minhas forças de segurança e fica resolvido.


terça-feira, 30 de agosto de 2011

médico sádico

tenho a certeza que quem inventou o assento das bicicletas foi um médico sádico: quis assemelhar hematomas vaginais provocados por violação, que é o que se ouve relatar, às mulheres que gostam deste carro de duas rodas. cabrão.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

pontes de fio

são pontes de ar, no ar, tantas vezes em assobio: sentir e atravessar, no chão, o ar pendurado por um fio.

Sinhãlismo

por acaso, e por mero acaso, gostei muito de descobrir que afinal, quando escrevo, tenho uma tendência literária: é o simbolismo.

domingo, 28 de agosto de 2011

deus pelado

brilhos, purpurinas dos olhos, apenas ao alcance dos meus - são sorrisos limpos das águas, dos céus, onde mora, pelado, deus.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

por exemplo: amas-te ao ponto de fazeres um assado só para ti?

amor de olhos com horizonte

são desertos cobertos de vida, água que sem ser bebida, descansos também do luar -são desertos de mar de gente, miragens de areia contente, entre os olhos e o horizonte: copular.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

pensamento apoucado, mas pertinente, sobre uma notícia real

quando um pai faz filhos à sua filha é pai tirano ou avô voluntário?
quando não há vontade de escrever não será a mesma coisa que ter prisão de ventre - pelo contrário, será mais não apetecer fazer um clister.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

papar e a língua

contaram-me, hoje, que nos motéis existem quartos com marquesas tal e qual as das usadas em salas de ginecologia.

(terá isso relação directa com o papanicolau, sendo nicolau um sinónimo de vagina? também poderá ser um forte indício de que, confirma-se, uma Língua precisa de total abertura)

sábado, 20 de agosto de 2011

piscar de pétala

piscam as pétalas como quem descansa os olhos - para escorrerem as lágrimas doces, derramadas pelo céu, pingadas, tão serenas, aos molhos.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

olhos de omega 3

se o peixe soubesse que vai para comer queria, com toda a certeza, fazer um clister e esfregar-se até sair a escama.

(é que o peixe sabe, talvez seja do omega 3, que os olhos também comem)

terça-feira, 16 de agosto de 2011

conflito e negociação

os males do mundo começam sempre em casa e um bom chefe de família lá terá de ser um bom negociador de conflito - não pode ter cor e muito menos ser benfiquista.

(mas só porque o vermelho acende, porque foram treinados, os touros de morte)

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

barcos em masturbação

areias gordas, são godos, que seguram as embarcações - mas não seguram as águas que vivem por dentro delas que, agitadas, são mãos a masturbarem corações.

vendeu-s

se deus precisasse de intermediários seria um mero comerciante.

domingo, 14 de agosto de 2011

verdaleta

manet gostava de violetas o que, na verdade, significa que gostava da verdade.

(violeta, mais do que impressionista, é uma cor impressionante)

a emancipação do caralho



folhear e desfolhar uma crónica da cidália, do sexo e a cidália, da cidália e a pornografia. a certa altura, e na tentativa desesperada de igualdade de géneros como argumento, ela assume consumir pornografia. bravo, não vejo mal algum, desde que se tome essa opção como individual e não como um pretexto de emancipação da mulher. isso será, sim, assumir que a pornografia é uma espécie de alforria e, em consequência, são os pénis senhores a libertarem as vaginas escravas. ora a pornografia entre pilas e pitas são sempre longas metragens de pura escravidão - se fosse a tal alforria poderia ser vista a tal vagina ser invadida por uma ou mais línguas mas não: são as pitas e as bocas e os cus delas que são invadidas por pilas, quantas mais melhor, para com essas imagens ser passada a mensagem da virilidade e do poder masculino. tudo falso: nem as erecções demoram horas ininterruptas, nem as pitas são escorregadias e, com toda a certeza saberão, digo eu a pensar nas escovas de dentes fininhas que as anorécticas usam, que uma pila enfiada até à garganta deve provocar falta de ar e principalmente o vómito. mas pronto, a cidália assume que se excita mas não sabe explicar com quê - nem responder a um namorado quando lhe fez a mesma pergunta. mas sabe dizer do seu espanto, do dele, quando lhe disse, vaidosa, que consome; mas sabe dizer do seu espanto, do dela, perante o espanto dele por não ser muito frequente uma mulher gostar de pornografia. o espanto dele é perfeitamente compreensível, ó cidália, ele não estava à espera de saber que livros é que lês e ao mesmo tempo que achas piada às lubrificações marteladas - é que pelos livros que lês ele poderá conhecer-te um pouco melhor mas pelo consumo de pornografia, que nem sequer sabes explicar o que te excita, ele fica a conhecer zerinho - a não ser a parte em que gostarás de filmes sem história e de alienar-te com a maior droga de todos os tempos. gostos são gostos e não se discutem - mas ele quis discuti-lo contigo e tu não não soubeste dizer porque gostas. serás, portanto, uma emancipada do caralho.

(apenas mais uma nota: podar árvores, que será uma outra actividade reveladora da igualdade dos géneros, não te aconselho: é que as árvores, mesmo antes de carregarem folhas e flores e frutos, carregam raízes - carregam histórias e as histórias, já te percebi bem, não vão à tua bola e nem de árvores reza a história. a tua.)



sábado, 13 de agosto de 2011

reeditar disto

na rebeldia de um céu que me esquece
a serenidade das águas fortes do rio parado

e o instante, o meu, único, selvagem perante o céu, a terra e na água, que - inversamente ao normal das gentes - não veio à superfície e assim,  durante horas, permaneceu

(nojo? nojo algum. até parecem dois polvinhos)

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

queijabrão

variedade, tantos sabores por onde escolher, de queijos. existem, no entanto, alguns cujo leite, tenho a certeza, que lhes serve de base, não pode ser nem de vaca nem de cabra, só pode ser de cabrão.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

civilização a ver navios

é uma língua que o lambe, olhar e não ver civilização, como se de uma boca do mar : atum a dar à costa, areias virgens, a ver navios, luz construída, ficar.

torradência

decididamente: a paciência é uma virtude.

(e quando consegues torrar, num curto espaço de tempo, a de alguém é porque a prova, de que esse alguém tem-na fraquinha, fraquinha, foi superada. paciência.)

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

de passos dados

quase sempre, quando caminham, passeios na areia das férias, vão aos pares. são casais com uma particularidade comum: nunca caminham lado a lado. nos mais novos, é ele quem vai dois ou três passos à frente - suspeito que quer esconder pensamentos, como se pôr para trás fizesse mais sentido quando se fica mesmo para trás; nos mais velhos, é ela quem vai na dianteira - como se estivesse a vingar do tanto que ficou para trás. e agora, agora,  já é ela quem quer que os pensamentos dele sejam escondidos porque foram passando por detrás dela.

(passeio da história: andar de passos dados é coisa rara)

terça-feira, 9 de agosto de 2011

olhos em castelo

não são janelas de pedra, ogivas com finura de luz, são olhos em castelos de sonho - olhos crescidos de menina que a onda na areia seduz.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

belgas de alento

águas de limo, que são altas e limpas, molhadas de lábios rasgados: cobrem os montes dos olhos - são belgas, alimento, que correm nas veias do alento.

torno do tempo

parece homem, o bicho; parece madeira, o cimento: parecem vesgos, os meus olhos - que vêm diminuição no aumento; parecem e são: bichos e madeira - moldados no torno do tempo.

maréu


há dias em que se vê melhor o mar - aparentemente, quase sempre a sua cor reflecte a do céu.

(mas é apenas aparência porque o mar é a extensão, em estado líquido, do céu)

domingo, 7 de agosto de 2011

véspera do outro dia

apanham boleia, na embarcação da véspera do outro dia, são três, para espreitar a lua em pelota - e ver o sol corar sem timidez: a lua fica por cima, impudorada, do horizonte que o sol fez.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

musgo do céu do dentro

não cansou: voa, pousado, no escorredor de águas e de tempo, como se voar fosse ficar - em telhados de musgo do céu do dentro.

eco

não se pode dizer que vir aqui - ou escrever daqui que não é mais do que também aqui, ou lá, ou aqui e não por aqui, com gosto, com prazer, com alegria - ainda que possam ser letras tristes, seja graforreia. graforreia é outra coisa; graforreia é uma deficiência como outra qualquer. e todo aquele que sofre de graforreia é aleijadinho - inho - inho.

(é o eco do diminutivo que faz jus à deficiência)

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

pinceladas

madeixas de cor, ai que bom, ai que furor, nos vestidos do verão delas: são pinceladas, ternurinha garrida, que Deus pintou em tronco nu e em chinelas.

profissão de futuro: andar às voltas com a cultura

já sabes o que queres ser quando fores grande?
grande como? eu sei que quando tiver 21 anos quero ser motorista.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

bolha. ou bulha

devo ter dormido a correr porque acordei com bolhas nos pés. ou, então, são os dedos que bulham.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

vestido oriental

olhos que vêem sol com chá e céu de caril, são olhos em bico de cheiro e de sabor que querem rasgar o timbre da noite - e o vestido do amor.

natural

a natureza por vezes estraga os planos do povo - é como o governo.

(isto pode querer dizer que o governo é naturalmente danoso)

domingo, 31 de julho de 2011

gosto, com gosto, senhor agosto

com gosto, a rasgar o céu, vem de nuvem - nuvem à grande vitesse, vem para não ficar: muito gosto, senhor agosto, sente-se um mês, depois prossegue, gosto de vê-lo descansar.

viver, diz ele

José Maria Rodriguez Madoz, Chema Madoz. assim: preto no branco. não interessa onde estudou, não interessa quantas exposições fez nem quantos prémios ganhou - interessa, isso sim, que, para ele, a natureza morta vive. e esta estranha forma de viver sem memórias, única, transporta-nos para uma nova forma de vida: a vida para além da morte. parece hermético o que digo, mas não é - é, em bela-arte, mórbido.




sexta-feira, 29 de julho de 2011

flanar

dá para flanar em e com tudo. mas é a viver que flano melhor - e deus, que não é o dos homens mas o das pedras e dos rios e das flores, passou a ser o meu revisor - do diário de vida que vou escrevendo - de textos.

cedo de seda

a brisa passa de fininho, por entre o rasgar dos olhos e o abrir dos lábios. são assim as verdadeiras manhãs que, cedo, são de seda.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

pés felizes

quem me dera que os vidros pudessem ser apertados como os papéis - assim os pés eram sempre felizes.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

jovem rapariga evadindo-se, 1968

gosto disto, gosto muito - talvez por a evasão se fazer a partir de materiais e objectos achados e ligados que serviam de base para fundição em bronze e que o transportavam, também a mim, para as coisas que amava: os talos de erva, os insectos, as rochas, os brinquedos. curiosamente, esta "recuperação" manual de materiais aparece, perspectiva minha, como o recuperar da felicidade no sentido de fazer viver memórias e cores e formas que saem fora do espírito de um homem de setenta e cinco anos. ainda viveu mais quinze em deleite de deixar as esculturas por debaixo do tecto do céu - dizia ele que o sol, a chuva, o vento e o pó faziam-nas melhores. e é esta criancice por dentro da velhice, o que está à vista que é igual ao que estaria escondido, que me fascina.

escrevo esta escultura, para ti Miró, assim:

são as formas redondas, roliças de carne, de coxas semi-enlaçadas, de paixão vestidas, que desnudam os olhos de um mundo, só de um, que na curva seguem em frente: contornam o mundo de todos, único é o seu - ancas redondas de amor que Deus, quando falou, lhe prometeu.

entre a lembrança e a esperança há tudo o que não há

dividir o tempo em três tempos, passado, presente e futuro, é a coisa mais absurda do mundo: o tempo só é o passado - o que já foi - e o futuro - o que ainda não foi. o presente é sem tempo: o que existe por dentro do que não existe. entre a lembrança e a esperança há tudo o que não há.

(uma salva de palmas, breve, ao presente- que daqui a nada já foi o que estava para ser. breve? breve não: se as palmas forem constantes, o que é - permanece)

terça-feira, 26 de julho de 2011

doce d'açoite

é o acordar que faz manhã
que faz tarde
que faz noite
é o sorriso do sol que nos cai como doce d'açoite - enche-nos os olhos de açúcar e, ai, a pele:
a pele fica-se-nos barrada, doçura, como se de esperma de luz com mel

ponta



há quem viva em ponta delgada; há quem enfrente horas de ponta; há quem não valha a ponta de um corno; há quem não tenha ponta por onde se lhe pegue; há quem não dê ponta sem nó; há - há pontas que nunca mais acabam que não chegam à ponta do meu nariz, bem visto, à ponta que o pariu.

(e basta-me pô-la de fora da janela, na abertura das persianas do dia, para adivinhar se a praia hoje vai valer a ponta - a ponta dos lacinhos do biquini na ponta do sol que se mete na ponta da água. estou ponta.)

segunda-feira, 25 de julho de 2011

melenar

a rádio local hoje escolheu-me para, assim que acordasse, brilhar. eu era tão tenrinha quando ouvia isto - e ficava tão feliz. fazia castelos altos, inderrubáveis. mais: fazia castelos compridos. e talvez tenha nascido lá esta panca de tutear as minhas melenas.

domingo, 24 de julho de 2011

a vaidade usa rugas

a vaidade de ter oitenta e quatro anos e vivê-los com alegria é surpreendentemente maravilhosa: coisa muita para poucos.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

sapatos, peixe e viver



muito mais do que morrer de aborrecimento, o que está perfeitamente comprovado pelos ratos de laboratório, o que está na moda é viver de aborrecimento. eles acordam de manhã, lado a lado, não dizem, pensam: não te mexas, não respires. e durante a manhã ela pensa nos sapatos de verniz que a outra tem e que também quer ter e mal tenha os dela serão imediatamente mais giros e mais caros e mais verdadeiros do que os da outra que teve primeiro e ela gostou e foi por isso que os foi comprar, no intervalo das cinco, durante a tarde; e ele não pára de pensar na peixeira, que vê todos os dias de relance quando vai almoçar, que é gorda, e quem disse que a gordura é casaco de tesão para uma sem espinha depois de uma patanisca durante a tarde. e ao fim do dia ou ao início da noite, conforme se pensa em luz ou em escuridão, lá estão eles lado a lado, não dizem, pensam: não te mexas, não respires.

pareceu-me mesmo bem o pão fresquinho com clã

o vento tem toda a razão

o mundo anda uma valente panelona de feijoada - e depois queixam-se que o vento não pára.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

minimini história

ouvi uma mulher chamar, aflita, pelo Pascoal. percebi, entretanto, que Pascoal era o filhote - aproveitando a distracção dos pais, saiu do local onde estava.

(e eu, eu vim logo a correr para casa com ganas de bacalhau)

quarta-feira, 20 de julho de 2011

a ilusão das partes

há uma coisa que se pode concluir de um bolo de laranja caseiro: para se absorver toda a vitamina das laranjas que lá se colocam tem de se comer o bolo inteiro.

terça-feira, 19 de julho de 2011

lucidez

"é o olho do cu o mais miraculoso em que se concentra toda a energia nuclear da nudez." Milan Kundera

barbas desfeitas de amor



por estes dias, à porta do Feira Nova que agora é Pingo Doce, um homem pediu-me dinheiro, nada de anormal portanto, e eu olhei para ele e vi qualquer coisa que não sabia explicar - como se ele tivesse alguma coisa para me contar e eu para ouvir. foi então que pousei tudo, sentei-me no banco do condutor, porta aberta e ele no lado de fora, e enquanto fazia sandes mistas e abria um sumo para lhe dar, disse-lhe: dinheiro não dou mas estou a preparar-te um farnel e em troca quero uma história. (hoje tenho a impressão que foram as barbas sujas e os olhos aguados que me fizeram distingui-lo dos outros) o homem ficou envergonhado, não pela minha proposta mas por parecer que  tinha uma história para contar há tanto tempo, uma história no prelo do alívio, que ninguém queria ouvir. mas queria contar muito mais do que queria comer. e assentiu. ao mesmo tempo que iniciava o farnel, libertava a sua história. tinha sido há muitos anos que conheceu a mulher com quem casou e que, até aquele dia, amou. tinha, igualmente, sido por aquela mulher que, para a defender, se envolveu numa luta que saiu torta e mesmo sem querer matar, matou. e foi condenado e preso e foi feito triste. a mulher por quem nunca pensou estar disposto a matar pelo simples facto de não querer ficar sem ela abandonou-o com simplicidade: deixou de visitá-lo e não esperou por ele - arranjou outro; as barbas, entretanto, foram crescendo como se tranças do tempo nele parado; os olhos foram ficando cada vez mais tristes, com águas mornas cada vez mais frias. mas, naquele dia, naquele dia a história que ele queria contar e que eu quis ouvir saiu do prelo, cumpriu-se. e num outro dia, lá estava ele - mas de barba cortada e olhos bem abertos - a perceber, aos poucos, que o amor só vale  a pena perante almas que não são pequenas de amar - perante corações que não são minguados de dar.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

não te passes - passa-te ao lado

se tiveres, na tua vida, conhecido alguém do pior tens de ficar contente por ter sido o melhor que te aconteceu: conhecer o pior cheiro faz-te perceber o melhor dos aromas. e, depois, tudo o que cheira mal, a malina, passa-te ao lado.


vamos celebrar:

domingo, 17 de julho de 2011




estou confusa: o povo diz que melancia é água fria e os cientistas dizem que quando se come melancia há um relaxamento dos vasos sanguíneos através da citrulina - a mesma substância que é convertida em arginina e utilizada no viagra. 

na minha modesta opinião os hipermercados, pomares, e vendedores de beira de estrada deveriam apelar ao consumo de melancia - e até apostar no desencaroçar: pronta a comer - colocando o seguinte slogan:
 "seja comilão, se precisa de erecção. coma melancia e esqueça a água fria". é que as coisas do povo andam a foder o povo que quer foder. e, depois, o consumo de melancia faria disparar a procura. quem sabe não está na melancia a solução para o equilíbrio das contas? - até poderiamos passar as palhetas, na produção, à Espanha. e mais - se pensarmos que a erecção pode ser igualmente intelectual, era ver o poder de decisão completamente activo e tesudo.

(ainda vão a tempo do festival da melancia no ladoeiro. esquece lá o sonho da melancia de 50Kg, António Galante, e aposta na melancia, aos cubos, pronta a comer, sem caroço. conselho de Sinhã)



purpurinas de sem muro

é o porto mais seguro, a casa do seu monte: nem as janelas e as portam se fecham; nem os tectos tímidos escondem estrelas; nem os verdes parados páram de crescer - a casa do monte é o porto, seguro, das purpurinas dos olhos que vivem sem muro.

o verbo dar conjugado no presente indicativo da modernidade

eu recebo, tu dás, ele dá; nós (tu dás eu recebo) recedamos, vós dais, eles dão.

sábado, 16 de julho de 2011

cheiro da mata e terra

de repente, o que é ser de repente porque se é é porque já lá está, deu-me ganas de ouvir, ouvir em voz alta porque de onde vinha já estava a tocar, este cheiro da mata e terra.

fealar, digo eu



se a falação fosse virtuosa seria uma verdadeira felação e se a virtude da felação estivesse também no princípio e no fim, fosse completa, seria, um verdadeiro virtudo, fealação.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

intimidade de cabelos em pé



se os cabelos ficam brancos, se são uma das marcas do tempo tal e qual as rugas, é porque têm muita mais importância do que se possa sequer imaginar - razão pela qual não são para andar a ser esfregados e apalpados e mexidos à toa. da raíz até às pontas, os cabelos carregam histórias e músicas e segredos e aquilo a que chamam cabeleireiros deveriam chamar-se psicoterapêutas. para isso, porém, havia de haver esta consciência colectiva - que os próprios profissionais não têm. como não há, há a minha individual, há que evitar que desconhecidos toquem nos meus  - eles não precisam de tratamento. precisam, isso sim, de ser selvagens e felizes, de pontas em contentamento:  intimidade que me põe de cabelos em pé.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

ovos poéticos

 jantar ovos no terraço, quando a noite chega, é comê-los estrelados.

abracadabra: sentir


não podia ter vindo mais a calhar a palavra do dia, do priberam, ser impetrar. é que quando estamos em dilema, quando temos de tomar uma decisão, o que implica sempre uma escolha entre duas ou mais opções, todas com prós e com contras, podemos sentir ou pensar tudo menos impetrar. o exercício da resolução de dilemas passa por pegar na consciência e colocá-la, como uma rosa que se quer viçosa, ao peito. e ficar. e, depois, juntar-lhe, ao peito, os pensamentos - e sentir. fazê-lo para cada uma das opções e perceber, sentindo, se leve, se alegre, se pesado, se triste, como fica o coração: a resposta. simples. é bem simples escolher quando o sentir é tudo o que não pode deixar de ser.


quarta-feira, 13 de julho de 2011

ai, ui, atirem-me água salgada

foi Deus
o que vive no meio do mar e da areia
e do vento
que as searas de peixe semeia
que preferiu a água salgada à água benta
a primeira mexe na pele da belezura
a segunda fica. parada. na benzedura

(ai, ui, atirem-me água salgada)

concerto de fadas

uma vez eu disse que tenho três fadinhas, a fador, a fadria, a fadiso, que me vigiam o sono. mas afinal são mais. há uma multidão de vigilantes, para lhes decorar os nomes a todas ainda terei de dormir muito, que asseguram um verdadeiro, o meu, acordar. esta noite fizeram-me um concerto, que adorei, com esta música:

terça-feira, 12 de julho de 2011

mensageira da reconciliação

já não me lembro onde li, mas li, que um momento de reconciliação vale mais do que toda uma vida de amizade. se assim é, e como está visto que os vivos valorizam mais os vivos quando morrem do que os vivos e os mortos quando vivos, eu ofereço-me para levar cartas aos mortos. ser a mensageira da reconciliação, ler cartas de amor.

(já não penso noutra coisa)

ainda não sabias que as minas de merda são as melhores?

a maior vantagem competitiva que um país pode ter é o capital intelectual - são os activos intangíveis como a qualificação, a tecnologia de informação ou os incentivos à inovação que, aliados à força de trabalho, perfazem a agregação de valor e geram riqueza: é este o adubo, o maior bem que um país pode ter. e isto serve para tudo, para todos os sectores - principalmente para aqueles que estão na merda porque é, bem visto, a merda que faz crescer. levanta-se, com esta merda toda, um pseudo-paradoxo interessante: o investimento na merda aumenta as potencialidades de mobilidade social, de mobilidade do capital, da merda do cérebro humano como gestor do conhecimento. a parte do pseudo é aquela em que se aproveitarmos os recursos, a mão de obra e o material intelectual bruto (depois transformado em capital intelectual) para fazermos compostagem caseira - e entenda-se caseira como nacional -, transformando a merda em adubo, nenhum cérebro merdoso vai querer zarpar: quem é que não quer ter uma casa com jardim na sua terra?

o adubo é, portanto, a chave da vantagem competitiva, de aumento e facilitação do fluxo interactivo produtivo. porque adubar passa um pouco por cagar na aflição do ciclo de desenvolvimento, cada vez mais curto, dos produtos e meter a mão na merda, de forma cada vez mais crítica, na qualidade, no valor agregado, no serviço, na inovação, na flexibilidade, na agilidade e na velocidade.

ou ainda não sabias que as minas de merda são as melhores?

amor e vacas




se imaginares uma vaca, feliz, olhos brilhantes e doces, malhada, a pastar em lentidão num prado verde pintado de sol, não consegues comer um bife.

(com o amor acontece exactamente o mesmo - mas ao contrário)

segunda-feira, 11 de julho de 2011

prendas estendidas


em dias tranquilos, de céu, como se em risco na tela, como se em pincel na mão dela, nasce a dança em planar: as gaivotas são prendas da vida, perdidas - são asas abertas em altura estendidas.

radiotécnica

andar de rádio desligado é, talvez, a melhor forma de assincronia - já que a sintonia é outra música.

domingo, 10 de julho de 2011

gambozinos ou uma imagem de viver

se eu fosse de valorizar os sábados e os domingos, passava-os a apanhar gambozinos. como, por uma questão de igualdade, os dias têm a mesma importância, prefiro apanhar gambozinos, todos os dias, a tempo parcial.

s. quase milagreiro

o que distingue um português de um outro qualquer é o quase: o português é aquele que corre mas que quase ficou aleijadinho com o acidente que teve; ou o que continua solteiro mas namorou muito tempo e quase casou; ou a auxiliar que quase acabou o curso e foi quase médica; ou o que está bem vivo e quase morreu de ataque cardíaco; ou o que continua teso como um carapau mas quase que acertou no euromilhões; ou o que se tivesse feito e não fez quase que foi feliz. o quase é, portanto, uma espécie de imagem de relaxação, uma espécie de passado potenciado em futuro que serve de consolo ao presente, uma inesperança que dura e dura e dura.

ouve, isto que estou a dizer é mesmo interessante - esta inesperança portuguesa é a única que não é quase. a inesperança é mesmo um placebo da certeza da desesperança e, por isso, milagreira. quase que arrisco dizer que, português que é português, faz e assiste a um milagre todos os dias. até o José quase que podia ter sido  reeleito se o povo não o tivesse posto no lixo; até eu quase que podia ter comido mais ao pequeno-almoço se não pensasse tanto. na verdade, a verdade é que eu rio de contente por estar a escrever com fome e o José chora de tristeza por saber que se fosse ele o lixo a coisa cheirava melhor.


sábado, 9 de julho de 2011

banda sonora

inexplicavelmente, acorda-se com uma música a tocar dentro - que mais ninguém ouve -: vem do estômago. será isso, talvez, a melhor definição de banda sonora.


sexta-feira, 8 de julho de 2011

camas mentirosas a dobrar

após ouvir uma notícia em que o arguido teria sido considerado inocente de violação, por ter agido em estado inconsciente de sexossonia, resolvi fazer, por curiosidade de algo mais ou menos incomum, uma pesquisa no google sobre esta doença. e que espanto, o meu, quando a informação é tão escassa - três ou quatro apontamentos de páginas brasileiras, muito ao de leve, e as restantes, muito ao de pesado, indicam caminho para pornografia. enfim: o google anda murcho.

ora os meus sinos curiosos tocaram quando ouvi uma psiquiatra referir que esta doença, mais comum nos homens devido ao facto da testosterona ser produzida durante a noite, pode manifestar-se de forma física mas também de forma psicológica - visto que a vítima é sempre quem dorme ao lado deste doente que não sabe que é doente. quer isto dizer que a velha história, que já ouvi muitas vezes, do marido que acorda durante a noite para fazer sexo e ejacula e já está, demonstra que a doença não é assim tão fora do comum como se diz. o que acontece é que o homem (apesar de também haver casos no feminino - mas poucos), sem desejo (sim, porque o desejo só o é se for consciente), procura quem estiver a dormir com ele apenas para libertar a testosterona e a outra pessoa, mesmo sem desejo mas porque não quer dizer não ao suposto desejo do outro, torna-se imediatamente num despeja-testosterona. isto dá que pensar: quantos relacionamentos, quantas camas partilhadas dormem numa grande, acrescida à mentira consciente e de olhos abertos, mentira quando interpretam o balde de testosterona como um amo-te muito até a dormir?

quinta-feira, 7 de julho de 2011

que é isto?

há quem se dê ao trabalho de ir até às cavalarias medievais enchê-las de contemporaneidade estética. um nojo.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

máquinas de lavar roupa e finanças

percebo bem as máquinas de lavar roupa: quando estão com carga a mais, nem que seja um caso isolado numa lavagem, saltam, saem do sítio aquando da centrifugação - é tal e qual como, em bichas de ponta, nas finanças.

ainda vais a tempo de burilar o teu portuguesismo

Convite
Ciclo de Conferências

 - Novas Ideias/Novos Negócios -

 AEP - Leça da Palmeira   7 de Julho de 2011
14.30h - 18.00h


 

Em 2011 a AEP iniciou um ciclo de Conferências onde o lugar de destaque é dado a novos valores nacionais. Pessoas criativas, ousadas e que apostaram com persistência e coragem, trilhando novos caminhos e mostrando que há uma nova geração disposta a isso. Este ano daremos a conhecer alguns desses exemplos de Novas Ideias que se transformaram já em Novos Negócios, ou projectos de negócios, criando espaços de debate e de partilha de experiências, com especial ênfase na Nova Competitividade e Novo Empreendedorismo, apontando soluções e novas direcções.

Nesta segunda edição, apresentaremos três ideias finalistas do Concurso de Ideias de Negócio da Universidade do Porto (iUP25K) ideias que se poderão traduzir em novos negócios e que serão apresentadas pelos seus criadores.
Seguem-se dois casos de negócios inovadores já implantados no mercado, que surgiram de ideias iniciais simples e que foram desenvolvidos com base no espírito de iniciativa e persistência dos promotores.

 


O caso Mon Musée – Qualquer museu em qualquer parede
Finalista do Concurso iUP25k, o Mon Musée é um conceito que divulga de uma forma inovadora as exposições temporárias e permanentes dos grandes museus e galerias mundiais pela projecção em locais de destaque de imagens das obras de arte, seleccionadas pelo cliente numa Art Store online, intuitiva e simples.
Os apreciadores de arte terão acesso, temporário ou indefinido, às imagens de um conjunto de obras. Podem, por exemplo, apreciar uma selecção de obras da última exposição temporária da Tate Modern. Em síntese, o Mon Musée transportará as paredes dos museus para todos os locais onde houver um projector/ecrã, oferecendo uma solução de divulgação e decoração dinâmica com vantagens para apreciadores de arte, artistas, galerias e museus.

Equipa: Pedro Amorim (Doutoramento em Engenharia Industrial e Gestão - FEUP); Bernardo Maciel (Mestrado Integrado em Engenharia Electrotécnica e de Computadores – FEUP); Pedro Pardinhas (Mestrado em Economia e Gestão Internacional - FEP).

 


O caso Scootzz
Scooter eléctrica de alta eficiência e totalmente personalizável

Segundo classificado do Concurso iUP25k, este projecto foi gerado a partir da paixão por veículos motorizados partilhada pela equipa promotora, estudantes do Mestrado em Empreendedorismo e Inovação Tecnológica (MIETE) da Universidade do Porto. A Scootzz aposta na produção e comercialização de scooters eléctricas, assentando em princípios como a vertente ecológica e a redução de custos associados às deslocações nos meios urbanos.
As recentes evoluções da tecnologia das baterias, a sua redução de custos e o aumento crescente do preço do petróleo, fazem com que economicamente as scooters eléctricas sejam competitivas comparativamente com as suas congéneres de combustão interna.

Equipa: Tiago Tavares Novais Barbosa (Lic. em Engenharia Mecânica - FEUP); Paulo Correia (Lic. em Economia – FEP); Pedro Oliveira (Lic. em Comunicação pelo Inst. Politécnico de Viseu); Alexandre Sousa (Lic. em Engenharia de Telecomunicações e Electrónica pela Univ. do Porto) e Paulo Silva ( Lic. em Ciências da Computação – Univ. do Minho
)

 

O caso My Home Cloud. A sua casa. Sempre consigo.

O My Home Cloud é um produto inovador na área da domótica, totalmente integrado, que permite interagir com a habitação a partir de um smartphone.
A ideia surgiu da necessidade de tornar cada vez mais a casa como um espaço acolhedor e confortável, melhorando a qualidade de vida do indivíduo. Esta tendência, combinada com as crescentes preocupações globais com as questões energéticas, tem vindo a despertar nas pessoas a procura de soluções inteligentes que lhes permitam poupar energia sem comprometer o conforto das suas casas.
Este produto pretende revolucionar o conceito de domótica, adicionando a possibilidade de controlo da casa através de um simples PDA ou smartphone.
Equipa: André Sousa (Mestrado em Engenharia Informática e Computação - FEUP); João Rocha Silva (Mestrado em Engenharia Informática e Computação – FEUP).

 

Caso Sucesso 24 – 24 horas pelas pessoas

A Sucesso24horas é líder no mercado de recrutamento, selecção e gestão de recursos humanos na área da saúde e da assistência social. Os serviços prestados dirigem-se a todos os profissionais de saúde e da área social que procuram mudar de tipo/local de trabalho ou realizar serviços adicionais como complemento da sua actividade profissional habitual.
Baseada na experiência internacional dos seus consultores, a Sucesso24horas apresenta uma evolução notável, contando hoje com uma extensa e variada base de profissionais do sector, espalhados por todo o território nacional. Um número que cresce diariamente e que confirma a qualidade do serviço prestado.
António Fernandes CEO da Sucesso 24 virá apresentar-nos um caso sério de sucesso que vale a pena conhecer melhor.


Moderador: Peter Kirby Higgs  B.Sc. Econ. com honras em Economia Monetária  pela London School of Economics. Trabalhou como Gestor em 5 países e quatro continentes para Multinacionais (empresas dos grupos Unilever, Pepsi-Cola e Esmark). Vice-Presidente Serviço a Clientes MBS Inc. e Palmer Bonner. Presidente da ADVP Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing de Portugal. Autor do “Ciência de Serviços: Marketing de Serviços” (ULHT)
 

Consulte o programa
Conferência gratuita mas com inscrição obrigatória.

Incrições limitadas


Para informação adicional mais detalhada contacte-nos através do Tel. 22 998 17 53 ou
 e-mail: isilva
@aeportugal.com

           
AEP – Associação Empresarial de Portugal
Av. Dr. António Macedo ◦ 4450-617 Leça da Palmeira ◦ Portugal
T:+351 22 998 1753  F:+351 22 998 1771
formacao@aeportugal.com◦ 
www.aepformacao.aeportugal.pt

terça-feira, 5 de julho de 2011

princesa

viva a irracionalidade sem género: uma pomba branca tem de ser também raposa, para fugir das armadilhas, e, para amedrontar os lobos, leão.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

e mais nada

não há dissonância alguma: o amor tem coração feudal, medieval, de compromisso, fidelidade, e abnegação; e tem alma que venceu a revolução francesa, a bastilha, de igualdade, confissão, de serafins iluminados.

é bem simples.

domingo, 3 de julho de 2011

solgredo

ando aqui a pensar ao sol
que se fosse uma flor
queria ser um bem-me-quer
para decidir os dedos teus
sempre que me despisses as pétalas



(texto produzido para participação na Fábrica de Letras)

pelo pé dorme o sono

nem sei se faz grande sentido dormir com um pé de fora se o resto do corpo tem, mesmo havendo calor, de estar tapado. a verdade é que tem noites que respiro pelo pé.

sábado, 2 de julho de 2011

?

sonhei que ao entrar no mar me fazia onda. agora vou ter de lá ir- vou descer a rua, com pressa, a ver se não lá fiquei.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

gomo a gomo

dizem ser a cor do amor, talvez por gomo a gomo se tomar o sabor, mas não tem cor o que no fogo e na água não há - porque é um que afaga o outro: no ontem que foi, no hoje que é, e no que será amahã.

em pose

quase que está cansada, quase que está dormida, pupila oval de menina, que parada descansa o monte: em pose aguarda o gesto - que será para a barriga, a sua, como água, pr'á boca, da fonte.

faniquinhõ

está quase a dar-me o fanico. não há nada pior do que estar numa bicha e ter alguém atrás de nós, mais alto, a respirar-se todo para cima de nós. vem aquele bafo quente que faz vento para os ombros e para o vale dos montes. e mesmo antes de pensar que teria de me lavar com urgência para tirar os murcões alheios da minha pele, pensei assim: porquê que não deixas de respirar? só que depois também pensei que se o gajo morresse ali mesmo, com aquele bafo pesado, tombava era em cima de mim. voltei o pensar todo atrás e fiquei-me pela urgência do gel de banho.

out of mesmice

ui, o que se passa comigo, não só pensei que hoje seria quarta-feira como desconhecia, até há um minuto, que é feriado. não sei a quantas ando, ando sem a mínima noção do tempo - talvez seja bom se pensar que não sofro de mesmice.

minhoca e peixe, moda e filosofia

foi em 2004 que Jum Nakao deu a conhecer ao mundo a costura invisível. muito mais do que roupas e estilo, o criador pretendia mostrar como a moda pode ser usada como instrumento para instigar o pensamento, na perspectiva de que são as roupas que, fisicamente, nos separam do mundo. nascia, assim, na São Paulo Fashion Week, a provocação da inquietação e consequente reflexão na moda - algo que parecia, de todo, impossível: Nakao confeccionou roupas em papel aptas a serem rasgadas durante o desfile: até que ponto anda a humanidade interessada além das formas?

numa época em que a aparência vale quase (senão) tudo - assemelhando-se à corte francesa de luxo e etiqueta, em muito ditada pelas regras da igreja católica para destrinçar os polidos dos rudes - vale, sim, abanar as estruturas sociais que se alimentam da imagem. mas não é esse, igualmente, o alimento de Nakao? depois do desfile e da minhoca lançada, surgiram-lhe imensos convites de moda, televisão, teatro, cinema. não haverá aqui um paralelismo ente Nakao e Hume pela simples demarcação de um estilo? sim, é que Hume também se interessou pela sedução das indomentárias para servir a reflexão e acabou por gostar de viver, em luxo, em Paris. lá está, são poucos os que não se vendem em nome do que fazem, supostamente, a bem do mundo. tretas. conversa de esfomeados e sedentos de ambição e de protagonisto e de exibicionismo e de vaidade. são estes, afinal, a minhoca e o peixe.