sábado, 20 de abril de 2013

Pedro Passos Coelho: "Tenho felizmente namorado com a minha mulher”


um político deve ser um humanista secular detentor de técnicas e saberes, o tal coiso nomotético, utilizados com o objectivo de  aliviar, senão minimizar na impossibilidade de impedir, o sofrimento humano. e é com a mulher que Pedro Passos Coelho faz esquissos, partindo da idiografia sexual, daquilo que é politicar:

i) o simples beijo nos lábios, vulgo chocho, quer dizer isto:


  • redução progressiva dos salários da Administração Pública, institutos públicos e órgãos de soberania, para valores totais de remunerações acima de 1500 euros por mês, com consequente redução de 5% nas remunerações (3,5% para salários entre 1500 e 2000 euros, 10% para os salários mais elevados);
  • congelamento das promoções e progressões na Função Pública;
  • congelamento de admissões e redução do número de contratados (já em 2010);
  • redução das ajudas de custo, horas extraordinárias e acumulação de funções, incluindo a acumulação de vencimentos públicos com pensões do sistema público de aposentação (já em 2010);
  • redução em 20% das despesas com a frota automóvel do Estado;
ii) as mãos a roçarem, ora ao de leve ora com gana, a pele ditam assim:

  • congelamento das pensões em 2011;
  • redução em 20% nas despesas com o Rendimento Social de Inserção;
  • eliminação do aumento extraordinário de 25% do abono de família nos 1.º e 2.º escalões e eliminação dos 4.º e 5.º escalões desta prestação (já em 2010 para 4º e 5º escalão);
  • redução dos encargos da ADSE;
  • redução das despesas no âmbito do Serviço Nacional de Saúde;
  • redução das transferências do Estado para outros sub-sectores da Administração;
  • redução das despesas no âmbito do PIDDAC;
  • redução das despesas com indemnizações compensatórias e subsídios às empresas;
  • extinção/fusão de organismos da Administração Pública directa e indirecta;
  • implementação de um plano de reorganização e racionalização do SEE;
iii) o sexo, já erecto - ou seja, com uma tromba do caraças -, tem a seguinte narrativa:

  • alteração do sistema de deduções e de benefícios fiscais no âmbito do IRS;
  • revisão dos benefícios fiscais para pessoas coletivas;
  • convergência da tributação dos rendimentos da categoria H com o regime de tributação da categoria A;
  • aumento de 2 p.p. da taxa normal de IVA;
  • revisão das tabelas anexas ao Código do IVA;
  • imposição de uma contribuição ao sistema financeiro em linha com a iniciativa em curso na UE;
iiii) já ao rubro, em movimentos crescentes de penetração, conta-lhe uma história:

já depois de Portugal estar sob intervenção externa, o Governo de Pedro Passos Coelho decide tomar novas medidas para cumprir a meta do défice em 2011.
  • a 30 de Junho de 2011, o primeiro-ministro quebra a promessa eleitoral de não aumentar impostos e anuncia, no Parlamento, um imposto extraordinário sobre os rendimentos -equivalente a 50% do subsídio de Natal;
  • a 1 de Agosto de 2011, aumenta o preço dos transportes públicos – em média, 15% nos títulos dos transportes rodoviários urbanos de Lisboa e do Porto, transportes ferroviários até 50 quilómetros e transportes fluviais;
  • o ministro das Finanças, Vítor Gaspar, anuncia, a 31 de Agosto, novas medidas fiscais para penalizar os contribuintes de rendimentos mais elevados;
  • a 1 de Outubro, aumenta o IVA sobre o gás e a electricidade. o custo mensal sobe de 6% para 23%;
  • ainda no mesmo mês, Passos Coelho anuncia o corte dos subsídios de férias e Natal aos funcionários públicos e pensionistas com vencimento superior a mil euros, durante a vigência do programa da troika;
  • a 20 de Novembro de 2011, o Parlamento aprova o aumento para 25% das taxas liberatórias sobre os juros, dividendos e mais-valias mobiliárias, em sede de IRS e IRC;
  • já em 2012, a entrada em vigor do novo orçamento impõe um conjunto de novas medidas. as despesas de saúde passam a ser dedutíveis em sede de IRS apenas em 10%. As despesas com a habitação são dedutíveis, não em 30% do seu valor, mas em 15%;
  • o Governo reestrutura e “racionaliza” as listas de bens e serviços sujeitos a IVA e destina a taxa intermédia de 13% a sectores que Pedro Passos Coelho classifica de “cruciais” para a produção nacional. A água engarrafada aumenta para 13% e os refrigerantes passaram a estar sujeitos à taxa de 23%, tal como a restauração. o Governo não mexeu nas taxas dos néctares de fruta, do vinho e do leite achocolatado;
  • o preço da electricidade volta a aumentar, sofrendo um incremento de 4% no custo mensal;
  • o imposto sobre veículos (ISV) para os automóveis ligeiros de passageiros sofre um aumento médio de 6,4% em 2012;
  • o Imposto Municipal sobre Imóveis sofre um agravamento de 0,1% no caso das habitações reavaliadas ou transaccionadas desde 2004. a taxa mínima passa para os 0,5% e a máxima para 0,8%;
  • o imposto sobre os cigarros sobe de 45% para 50%. a taxa aplicada a cigarrilhas e charutos aumenta de 13% para 15%, enquanto a do tabaco de enrolar passa de 60% para 61,4%;
  • a 1 de Fevereiro, os preços dos transportes públicos voltam a aumentar, com uma subida média de 5% (a alteração abrange os utentes dos comboios da CP, dos autocarros da Carris e da STCP, da Metro de Lisboa e da Metro do Porto);
  • Vítor Gaspar anuncia, a 30 de Abril, que o Governo prevê que os subsídios de férias e Natal, cujo pagamento foi suspenso, comecem a ser repostos a partir de 2015, a um ritmo de 25% por ano. em Julho, o Tribunal Constitucional declara a inconstitucionalidade da suspensão dos subsídios de férias e Natal, por violar o princípio da igualdade, mas o acórdão só tem efeitos em 2013;
  • esta decisão foi a razão central que levou o primeiro-ministro anunciar, nesta sexta-feira, um aumento na contribuição de todos os trabalhadores para a Segurança Social.

iiiii) sexos em brasa, meditação em curso, ausência total de ser, o orgasmo:

Pedro Passos Coelho, como grande e bronco homem que é, adormece imediatamente. explica, mais tarde, à mulher que o que sucede nada tem que ver com afectos - trata-se, antes, de uma falácia para ganhar tempo: o tempo de esquecer de lembrar que se vem à custa de um desgoverno. e a mulher pensa para si que, não tarda, acabará por preferir outro se ele não se puser a andar.



4 comentários:

  1. Anónimo14:26

    Este post roça (foi de propósito) o brilhantismo, super engraçado. Mas vejamos as coisas pelo lado positivo, ao menos houve orgasmo, muitos outros políticos são tão murchinhos (também foi de propósito) que não chegam a entusiasmar ninguém :)

    M.

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  2. ai que riso a mistura do roçar com entusiasmo! :-)

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    Respostas
    1. Anónimo13:57

      Mas não rima, tinha que acabar em "ar" :)

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    2. tinha nada - há rimas por dentro das desrimas.

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