sexta-feira, 30 de setembro de 2011

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

se o dente está podre...

falam com espanto daquilo que nunca sentiram ou fizeram. falam como quem fala de comida sem nunca terem cortado, ao de leve, um dedo na tábua. mas falam. devia, de vez em quando, ser interdito falar tal como é interdito passar ou fumar. mas não é - e é por isso que há bocas em que os dentes apodrecem com rapidez.

ir a cheiros

é de manhã cedo ou durante o coito do sol com o mar que as praias ficam desertas de olhos e de pés. e é nessa altura que a água gelada, e salgada, espera cheirar-me a pele até aos ossos.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

janelas que dormem

camadas de paixão ardente
que de fora para dentro
lambuzam os olhos
até manchar
e ficam às portas sem entrar, tal e qual o compasso sem tapete de flores
porque são assim, umas e outras, as janelas
por conta de se descansarem belas: são amor por acordar

abóborar

 quando aparece uma abóbora gigante, elas não querem - gostam de abóbora em pequenas embalagens, aos cubinhos, completamente despida para mergulhar na sopa. e quem fica com ela sou eu: carrego-a e fico sempre com vontade de a deixar em cima de uma mesa para poder olhá-la, apreciar-lhe as linhas rugosas e as curvas tortas.e assim fica alguns dias. mas como, se a culpa fosse dos meus olhos possessivos, inevitavelmente se estraga, pego-a, antes que isso aconteça, como a uma jarra de flores, escolho a faca mais afiada e começo a recortar-lhe a primeira existência:  faço-a em gomos grandes, dispo-a, separo-lhe as pevides e deixo-a prontinha para ser congelada até, a pouco e pouco, ser vitamina salgada e doce na panela. este ritual, que envolve algum tempo e disposição, aguça-me o valor que lhes dou e faz com que cada vez goste mais delas.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

teleturbar

nunca entendi, não entendo e julgo nunca vir a entender, a coisa de telefonarem ou enviarem mensagens fora de horas. entenda-se fora de horas o tempo em que um simples cabelo, se cair, me espanta o sono. de resto e como anda sempre a cair ao chão - pode ser que o telefone, se tiver alma, fique perturbado tal e qual se deixa usar para me perturbar.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

trio admira - o lembrete que existe nada, o verdadeiro verbo nadar



o que têm em comum este video, um peixe num aquário e um espelho?

tudo nada - têm o nada em comum. o video mostra nada; o peixe só, nada mais faz, nada e o espelho nada reflecte a não ser o que há para reflectir.

domingo, 25 de setembro de 2011

a minha ignorância

desconhecia completamente que as minis se abrem com o clique de uma lata de atum e foi ontem, pela primeira vez, que, em clique para o meu pai, tive contacto com uma.

sábado, 24 de setembro de 2011

e se...

e se os sonhos de olhos cerrados forem frangrâncias alarmantes de futuro - do tipo sininhos secretos; privilégios de cinema sem olhos; brilhos, do sono, indicativos?

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

absorver, não exibir, a beleza



existem mundos, no mundo, que nada nos dizem. olhar as joias, tantas delas, tamanhos e formas diferentes, sem fantasiar, por um segundo que fosse, um bico de decote ou um pulso ou um dedo meu com elas. reter, sim, reter os brilhos e as texturas e, sim, fantasiar uma memória descritiva para cada uma delas: fazer sínteses mentais de cada escolha realizada de cada um que a realizou como se cada uma precisasse de uma história muito antes de precisar de uma utilidade. talvez, ainda estou a pensar, considere que a arte da joalharia não pode ser confundida com fatuidade e daí o meu desapego ao desejo de enfeites estilo árvore de natal. e depois, até hoje não houve quem me soubesse explicar convenientemente, faz-me uma tremenda confusão chamar jóia a um bocado de couro com cortiça quando serão os metais e as pedras preciosas que fazem o estatuto de jóia - pela perspectiva da mistura de materiais não preciosos com os preciosos, entendo joalharia contemporânea mas apenas ao uso dos primeiros, tamanha é a grosseria, chamo-lhe multi-pechisbeque.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

e tu, com quem fodias em troca de paz no mundo?


ela propôs-se a fornicar com Saddam Hussein e Bin Laden e isso valeu-lhe uma pensão vitalícia de três mil euricos mensais. não, não estou a falar - por mais que pareça justo - da Paula Teixeira da Cruz; tampouco me refiro à miss universo até porque, está à vista, os americanos gostam mais da paz do que quaisquer outros. falo, pois claro, da Cicciolina.

(até me está a passar pela cabeça, mesmo agorinha, se não a poderiam importar para equilíbrio das contas: por exemplo, ela fornicava com o Jardim e em troca o buraco voltava a ficar encoberto por mais uns anos; à medida que fosse chupando o Passos Coelho e ela fosse crescendo, ele serenava e deixava de se masturbar com os impostos; e por aí adiante. também podia ser bem útil no combate aos crimes sexuais: oferecia-se como voluntária a favor da energia nuclear dos tarados e maníacos. e tudo por uma módica quantia de três mil euros por mês em tempos de austeridade apertada. 

e então, já estás a abrir o fecho das calças sem pensares nos cordões da bolsa, Governassos?)

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

picante

falo que não são falos nem picam: são flores que nascem na noite beijadas pelos morcegos, regadas de açoite,
e piripiram os olhos no dia.

sonhos cabeçudos

parecem estátuas de chocolate mas não são: são as cores equilibristas da fruta que, sem engonho, penduram as cabeças no sonho.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

fresco de mentol para as costas

os nós ao fundo das costas são aquelas bolinhas que só sentes quando passas a mão e não há dor - mas há um desconforto imenso, aquela sensação de inflamação. pois descobri uma boa terapia: desfazer beringela a cru e colocar a papa numa meia de algodão. amarrá-la bem e afundá-la numa panela com água até imediatamente antes de começar a ferver. depois molham-se toalhas na água quente que vão sendo postas, alternadamente, na inflamação. além de um bem estar imediato, a casa fica com um cheirinho maravilhoso a fresco de mentol. verdade.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

até pode parecer que não

na minha cozinha há um sofá, já foi outro mas agora é este, e nem imagino a cozinha sem sofá. mas na gaveta do armário da cozinha não há quebra-nozes. isto pode até parecer que não faz sentido mas faz: as nozes que andei no outro dia a apanhar lá estão, pacientes, à espera que eu as coma e não se importam que eu as faça feliz à martelada - mas tudo o que eu sei que elas, também sabem que eu sei, querem é descer o canal, tranquilas, por entre enchorradas, nem sei se esta palavra existe mas se não existe passa agora a existir, líquidas até repousarem, moídas pelo cansaço, no sofá.

o quebra nozes é, portanto, perfeitamente dispensável na cozinha. o sofá, as nozes são defendentes dos sofás, é que não.

sábado, 17 de setembro de 2011

bora lá fazer cartoons

se eu soubesse desenhar...

1. Merkel, uma gorda mal fodida, frustrada, a cagar - não postas - pescadas inteiras e a distribui-las pela europa;
2. Berlusconi, pénis bem erecto, a meter telefones, quilos deles, ao bolso;
3. Passos Coelho, de branco vestido, a acarinhar cada um dos seus filhos, anões, ministérios sendo que o maior dos mais pequenos está sem braços e sem pernas e a chorar muito com um plano CRI na boca;
4. Alberto João Jardim nu e cheio de dores de rabo por conta do clister- merda que saiu até fazer eco;
5. os EUA a darem banhada ao povo com balões de água onde cada balão deverá representar uma placenta de esperança.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

dar murro, ser beleza

chamam-lhe imperfeição, olhos no coração, mas eu dou um murro na mesa: de pernas para o ar, imperfeitamente perfeita, chamem-lhe como eu - chamem-lhe beleza.

olhos e ouvidos, pensantes, sentidos


ontem comprovei, para mim, que os homens quando são, e apenas, pontualmente queridos são uns traidores.

(ela continua armada em fina, e em boa (está convencida ser a mulher moderníssima que o dobrou), e ele continua a fodê-la. e às outras também. concluo, portanto, que sou uma excelente analista da política sexual contemporânea. dá cá mais cinco, Sinhã)

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

mãos e pés descalços

pensando bem, andar descalça faz o mesmo efeito que fazer trabalhos manuais sem luvas: a sensação de estar em contacto com as coisas não as deixa escorregar e cair. com os pés é igual: é o sentir as bases por onde passo que me faz andar erguida.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

saxofone em silêncio não é crime

esta notícia tão ironicamente bem contada comoveu-me. e eu estou aqui, Constantino - chamo-te guardador de sopros e de sonhos -, para dizer que acredito em ti. e a ti, e a ti, e a ti, e também a ti, Sílvia, caneco, quero dizer-vos que é verdade que há bocas que tresandam a álcool sem o beberem - em criança, uma das empregadas que passou lá por casa tinha uma doença no estômago e tresandava a álcool pela medicação que tomava: não bebia senão água. acredito no amarelo e, à primeira, na Segunda. acredito em tudo, sim. acredito principalmente no abuso de autoridade e na caça às multas e na caça às vidas.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

seborreia por contágio




pelo menos uma vez por ano sinto-me obrigada a procurar as mãos de profissionais de cabelos, não porque estejam estragados, para dar-lhes forma. é, no entanto, um momento de grande sacrifício e ando dias e dias a mentalizar-me que alguém desconhecido vai estar a massajar me o cabeludo e a usar nele pentes e escovas e tesouras indiferenciadas que rolam de cabeça em cabeça. é como se cada um dos utensílios carregasse uma colónia de cabelos, e talvez outras coisas, de cabeças sem identidade. e depois há o tempo de espera debaixo do zumzum do secador e das vozes tagarelas em simultâneo e do lixo das cabeças dos outros que quando é aparado salta, atrevido, para nós e faz comichão. e depois é o aspecto do cabelo das cabeleireiras que quase nunca faz jus à profissão e é pintado com a raíz a descoberto e seco e teso. enfim, todo o cenário envolvente faz caspa. mas, como já disse, pelo menos uma vez por ano obrigo-me a ter caspa. 

desta vez, porém, não foi com caspa que saí de lá. 

conversas cruzadas, há sempre uma ou outra que nos entra, mesmo sem pedirmos, no ouvido. falavam de emigração para áfrica e no quanto é difícil para um casal ficar separado - não pela saudade, não pela falta emocional, não pela interrupção espacial e temporal do projecto a dois, mas pelo risco que correm em serem encornadas com pretas. e a conversa segue: despertara, a esta altura, a minha atenção não pelo tema mas por o problema em causa ser preto (cheguei, entretanto, à conclusão que se fossem encornadas por brancas a coisa passava). vim a perceber, mais tarde, que a cabeleireira estivera emigrada uma data de anos na áfrica do sul e que era dela que a conversa tinha surgido. cabelo ainda por podar, levantei-me e vim embora quando, a certa altura, ouvi: lá não senti problema algum porque era normal mas cá, e atenção porque eu não sou racista porque tenho amigos pretos, quando vejo um preto, expressão facial de nojo, atravesso a rua.

como poderia eu colocar nas mãos de alguém assim a minha cabeça? imaginei aqueles seus pensamentos filhos da puta, terroristas, avançarem para as suas mãos. sim, porque o que pensamos extende-se a cada centímetro do corpo - nós somos criaturas inteiras.

desta vez, porém, não foi com caspa que saí de lá: foi com seborreia.

domingo, 11 de setembro de 2011

saudades à soleira

parece apenas um, mas são muitos - homens por dentro do tempo: homens que choraram e que riram, saudades à soleira subiram, nas janelas com cortinas de vento.

verdes fundos



gostava tanto de ter um telhado verde.

(saber-me com uma árvore por cima do meu tecto alimentava a minha carência de raizes e de profundidade)

sábado, 10 de setembro de 2011

a vida e o destino. ou a veia e os sovacos


há quem confunda estar apaixonado por si próprio com estar apaixonado pelo seu destino. o meu Kundera explica isso muito bem, no livro do riso e do esquecimento, mas eu também não lhe fico atrás. (nem à frente. fico, talvez, saltitona, ao seu lado visto que as pernas dele serão bem maiores do que as minhas e apenas dois passos dos meus conseguirão acompanhar um dos seus.)

dizia eu, então, que esta confusão existe quando não é o destino que faz algo pela felicidade, por todos os pilares, senão tarecos, da vida de alguém mas será esse alguém, na sua vida, que faz de tudo pelo seu destino - sente-se responsável por ele sem ele se sentir responsável por si. há, aqui, portanto, uma espécie de amor não correspondido: alguém ama um destino que não o ama a si simplesmente porque leva em consideração os pressupostos da vida desse alguém e não os pressupostos desse alguém sem vida. sim, nós existimos sem vida - se perdermos o emprego e a casa e a conta choruda perdemos a nossa vida, a dos tarecos, mas não perdemos a nossa vida enquanto vida. estou a ficar confusa. mas com convicção.

pensar, por exemplo, em basílico no destino será arranjar sovacos onde não estão - para a veia ter mesmo de por lá passar. mas não é a veia da existência - será a tal veia da vida, dos tarecos.

talvez seja mais fácil rematar, agora, e concluir que é assim que a vida se transforma em destino e que a existência passa a ser de tarecos. mas a esta altura já deturpei a visão do Kundera, já lhe retirei e acrescentei conceitos e esta vida e este destino passaram a ser conceitos só meus. como eu gosto.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

até à quinta e depois dela



a praia não é o sol; a praia é o sol e os outros: as cócegas dos grãos da pedra no mindinho e a brisa do vento fresquinho e o sal do som do mar. a praia é a onda que faz ser onda e as gotas perdidas que fazem ser gota e o vento manso e fininho que faz ser movimento e a areia que faz ser pó. e tudo por debaixo de um sol que faz ser superfície.

(se assim não fosse, sol por sol, bastaria a quinta nota a quente)

está bem, então

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

se és mulher, não vás sozinha inspeccionar a viatura

é incrivel como é completamente diferente, para uma mulher, ir sozinha fazer a inspecção do veículo ou ir acompanhada por um homem: de acordo com a segunda premissa, verifica-se e confirma-se - é mais rápido, mais objectivo e não reprova.

(penso haver, assim, uma espécie de gaytonia implicita que inibe a testosterona de se evidenciar)

ir pensar é um verbo, não são dois

esta coisa dá que pensar. vou pensar.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

el's matadores

o que é que a mata mata, além dos olhos com a sua beleza?

(é que eu hoje vi dois homens, quase idosos, sairem da mata perto da praia: um apertava as calças e o cinto e meteu-se num carro e o outro seguiu o meu caminho. sairam juntos da vereda que vinha da mata mas cada um apanhou o seu rumo. será que as matas também matam outras coisas - mesmo ali, entre vivendas familiares?)

cópia gordurosa roscofe



se há governos que tencionam aumentar os impostos sobre os alimentos gordurosos, como a Hungria e a Dinamarca, para combate da obesidade e, desta feita, diminuir os gastos de saúde - outros há, como o nosso, que quererá copiar a ideia apenas para arrecadar receitas. senão vejamos a coisa numa perspectiva obesa: se o povo anda sem guito, procura almoçar ou jantar barato. e o que é que é barato? é a comida de plástico. então, o aumento dos impostos nos plásticos comestíveis só vai trazer duas coisinhas para o povo: o aumento de peso e o aligeiramento, ainda mais acentuado, dos bolsos - é que ainda continuará a ficar mais caro preparar um jantar de fritos, ao preço que anda a luz, o gás e a água, em casa. ademais - quem é dos fritos, é dos fritos e há-de morrer assado no espeto se mudar para os cozidos e grelhados.

(fazer cópias de ideias inteligentes de economias que em nadinha se equiparam à nossa é, no mínimo, de uma magreza mental colossal)

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

rodas do mundo

são vidas, umas sobre rodas erguidas e outras de rodas para o ar, na vida de um mundo que vive, não pára, do pedalar.

da fórmula do provérbio sábio

fazer o luto por aquilo que já, ou nunca, tivemos é estranho. e arde. e se o que arde cura e o que aperta segura, acabei de encontrar a fórmula mágica: deixamos, de segurar, cair - começa a arder e cura.

domingo, 4 de setembro de 2011

i just write to say i love u, música

a música possui um poder incrível, inigualável, mágico. se é verdade que gostar desta ou daquela depende do estado de espírito também não o é menos que é ela que tantas vezes o condiciona. a música remete-nos para o nariz, para os olhos, para a boca, para as mãos, para a vida. e senti-la faz-nos, tantas vezes, sorrir; e senti-la faz-nos, tantas vezes, chorar. a música é, assim, uma espécie de bálsamo para a alma porque não é à toa que nos massaja memórias ou nos desperta desejos. e prolonga-se, o seu efeito, muitas vezes, pelo dia dentro ou por vários até. e depois surge outra que desmontamos até à exaustão para lhe beber o trago da alegria ou da tristeza: dissecamos a música para apurarmos emoções contidas, guardadas ou novas. musicar é tão ou mais importante do que comer ou beber ou defecar - não porque desse verbo depende a sobrevivência - por nos remeter para a essência do que será viver.

e porque viver começa por dentro do mundo do mundo, musicar é preciso.

(hoje, tenho a certeza que não foi por acaso, ouvi esta música. estava a precisar dela para recordar onde a costumava ouvir, rumo à escola na frequência da festival com o meu pai, e transportá-la, fazer a ponte, para os tempos de agora e ganhar força com o que significa ser pai e dar e ser filha e receber. e nem sequer interessa se gosto, sim: gosto muito, ou não - importa que por algum motivo me marcou. obrigada por existires, música.)

sábado, 3 de setembro de 2011

pequenas grandes preocupeixões

tomar conta de peixes é um sobressalto constante: de vez em quando eles ficam quietos, sem se mexerem, e lá vou eu saber se morreram. no outro dia dei-lhes uma goma, por ter percebido algum azedume no seu nadar, mas, depois, passei o dia preocupada com a diabetes.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

lu(z)cidez

ciclone de luz suspensa, pensa, escuridão por relatar: são os homens, pensa, que fazem das trevas os caminhos que o vento, pensa, faz clarear.

qualquer - a palavra que faz a diferença

a fidelidade está em vias de extinção - a capacidade de se ser verdadeiro e leal com quem se está, não por princípio, não por opção, não por se estar com o "não é bem isto mas é melhor que nada", por se sentir que com quem se está é com quem preenche tudo o que é estar. e perceber e sentir que até o homem que vive com a mãe de uma grande amiga, por convivência amigos também, está a mostrar e a forçar o estreitamento de relações comigo à margem da mulher com quem está - a mãe de uma amiga que é amiga também. a resolução do problema passa, obviamente com ele, por não lhe dar importância, por recusar os seus convites, por fazer de conta que esse seu interesse é apenas de carinho por afinidade. a questão desconfortável para mim, que é o que interessa, é o nojo que sinto por mentiras, por mostrar que tudo está bem, e pela sua deslealdade com ela em detrimento da sua vontade - não correspondida por sentimento, por vontade e também por opinião arraigada - comigo. quem não está bem só tem de verdadar e dispensar; é o ter de encará-los sem espontaneidade ou de encetar o distânciamento necessário para sucumbir ao fingimento. e a redoma fecha-se mais um pouco. sair de casa para alguns sítios é, cada vez mais, um perigo: não por poder ser atropelada ou roubada mas simplesmente por ser apenas mulher sem ser uma mulher qualquer.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

pénis de amor

ouvir e ver por aí, pensar, digerir, e arrotar por aqui. todo o amor que só repousa na cama é um amor doente -
o amor também é vertical, concluo. e agora, isto não estava previsto no arroto, a propósito da verticalidade, lembrei-me que
quando o amor e o sexo andam em sintonia
a imagem de uma erecção é perfeita
o amor é um pénis gigante, bem duro,
que assim se levanta e assim se deita