segunda-feira, 28 de novembro de 2016

ando eu aqui, ai!
por entre as esponjinhas da chuva
a saber de não saber como quem sabe
por que raios e coriscos ser deste jeito
ver a vida como excesso de uva
é mesmo esforçar o dobro para ter a metade

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

ao obscurantismo

e se Camões sonhasse, um dia, com o obscurantismo da humanidade diria assim:

aos amalucados, a glória vã
ai! que pensamentos meus tristes
diz-me tu mar salgado do globo
que és rio doce e qu'existes
prefiro os olhos sós
e as palavras da garganta cortadas
mão, pés, fanados membros,
almas rasgadas
do que viver o que digo como vivido
lá longe na bengala do tempo,
tantae molis erat,
sequer quero pensar
sai má fortuna!, escafede-te!
mata-me a ideia de Trumpar



segunda-feira, 31 de outubro de 2016

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Outom

verdes, tantos
, amarelos
rosas, vermelhos, corados
, enfim, marrom.
ai! que engano! de Outono!
quando tinha mesmo de ser Outom

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

os peidos fazem parte da vida

é, por isso, inconcebível viver sem eles. bem visto, os peidos estão para o profano como a fé está para o sagrado: energia invisível em movimento, alívio amiúde, esperança perseverante - e interrupta - em um caminhar melhor.

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

vazio

anda sempre tudo ao contrário, pensamento risonho, tudo não e ainda bem, que tudo é o espaço mais vazio que conheço.

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

lágrimitas

já não vejo a sua senhora há muito tempo - está melhor? oh! menina! ela nunca mais saiu de casa, anda corcunda, tenho a certeza de que é um tique. mas ela não está doente da coluna? só se for doente para mim, não vejo pingo de amizade, só existe para a besta do filho. às seis da manhã lá está ela a lavar a roupa dele no tanque - e eu, se quero roupa fresca tenho de ser eu a tratar dela. já tenho oitenta anos. e ela não? sim, até tem mais mas se faz tudo ao filho porque não me faz a mim também? a mim, que gastei mais de metade da minha vida com ela, uma mulher sem instrução, eu que tinha tantas fidalgas atrás de mim! menina, montaram-me uma cilada. uma cilada? (espera mais um pouco, Valquíria, já vamos continuar o passeio) sim, menina, sei lá eu se o meu filho é meu ou filho do padre. eram os anos sessenta e eu dei umas voltas com ela. depois apareceu grávida e lá tive de casar. fiz-lhe um favor estes anos todos, ela nunca teve classe para mim. e agora sou eu e a cadelita, tenho de fazer tudo em casa e ela só vive para o marmanjão do filho, o filho que se calhar nem meu é - aquilo é uma besta, menina. ouça, e a senhora não estará, com essas atitudes que me diz que tem, com indícios de demência? mas isso queria eu saber, menina! queria levá-la ao magalhães lemos e interná-la. e depois a besta, que pode ser meu filho ou do padre, que ficasse lá também. tem de ter calma, calma e paciência porque já tem oitenta e a esta altura nem sequer lhe adianta pensar nisso. mas eu não páro de pensar nisso, menina! e se a besta for mesmo filho do padre? precisamente: agora nunca vai saber e já viveu muito mais de metade da sua vida. agora tem de descansar e ficar tranquilo.

as lágrimas que lhe escorriam, teimosas e espevitadas, não eram pela suspeita de não ser pai da besta. as lágrimitas, uma palavra nova meia hispano-dramática que me saiu mesmo agora, para nada de novo, eram, são, o suor da solidão.

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

novidade estranha. entranhará?

prometi hoje aos meus colegas de trabalho uma crónica sobre homens e mulheres, vulga guerra dos sexos. decido, entretanto, acrescentar a bonança dos sexos ao mote. mas isso fica para depois porque, em boa verdade, apetece-me discorrer de forma selvagem sobre as guerras do Homem. nem sei bem se faça juízos de valor - não sobre o valor do Bob Dylan - sobre o prémio, o melhor prémio, da literatura. não é de descurar a prosa poética que se trata. trata-se, isso sim, de percebê-la ao milímetro do som. por que raios e coriscos um génio da música, música acrescida de letras - uma espécie de alquimia perfeita por dentro da irreverência, ingerência e (im)pertinência completamente imperfeita - é feito galo da literatura?

percebo. faço por isso. aceito. fico feliz, sim, de ver uma união verdadeiramente perfeita - a das letras com música - ser aclamada. mas precisava de ser assim, a kind of mestre literário, o homem que revolucionou a música lá atrás bem no início da sua já longa vida? o homem não nasceu para escrever, o homem nasceu para criar música, aquela linguagem universal cujas letras apenas acrescentam pitada de magia.

do outro lado lá está ela: a alma das letras que se fazem palavras, a coisa de aquela música sem aquela letra não ser mesmo a mesma coisa. serão todos suspeitos, claro, os que se desgraçam nas letras. voltando à vaca fria: e por que não ofertar um prémio literário a um homem que transpira música quando toda a música tem em si mesma, sem encerrar, uma narrativa? não me parece bem nem mal. antes parece (me), e é, uma novidade estranha que, pelo menos, nos está a dar música.

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Vivalder um ano e pico depois

de repente a gana de voltar como se voltar fosse, é é, muito mais do que um verbo, dar a volta e recomeçar. e se o eterno retorno não for mais do que um sereno voltar? a coisa simplificada resume-se ao passar pelas quatro estações, enfrentar a chuva fresca e o sol abrasador e o vento cortante e - que manta de vinil natural! - o nevoeiro. e depois, por dentro da simplicidade, há o complexo mundo das alegrias e das desgraças e das esperanças e das derradeiras dores. é a vida, ouço amiúde, são vidas.

e decide-se voltar a pisar, com a simples naturalidade de Vivaldi, a complexidade do mundo das quatro estações.

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

a urina, um carinho

dizem os mais antigos cá na rua que andava por cá há mais de vinte anos. não me lembro dele antes de daqui sair para viver e conheci-o há cerca de três anos e meio quando para aqui regressei. no olhar tinha doce, nos passos a sabedoria de um velho - de um cão velho. seguia-nos para todo o lado mesmo com o tesão já afrouxado e limitava-se a lamber a urina dela. um carinho. e ela, desafiando-o, não o deixava tocar-lhe mas sentia-lhe a falta sempre que dando meia volta ele voltava para trás e não finalizava o passeio connosco. 

na segunda feira adivinhei-lhe a morte quando também ele sabia que ia morrer. vi a puta da morte nos seus olhos e vi-a também no seu desapego pelos humanos e no passear das lembranças enquanto vagueava no campo feliz onde cresceu, virou moço e depois homem e depois velho. disse ao meu pai: o cão está a morrer, tenho a certeza. não acreditou. ontem morreu ainda a manhã ia a meio e já sinto a sua falta. era um silêncio calmo e meigo apesar de distante. era o silêncio de um cão velho. porque os velhos que não são cães não são silêncio bom.

segunda-feira, 6 de julho de 2015

tanta vez eu penso em ti, Frida, ingenuidade e folclore em bicos de surrealismo que era, afinal, a tua vida real.

quinta-feira, 2 de julho de 2015

o mistério não está na morte

em uma espécie de universos paralelos, existimos. cruzamo-nos com este e com aquele - aqui ou acolá. depois trocamos palavras ou sorrisos ou silêncios. toleramos ou aguentamos ou resistimos ou fruímos. choramos ou rimos ou não sentimos. isto tudo, tão pouco, para dizer que há sempre outro dia - o dia que aí vem ainda limpinho e sem linhas. porque os dias são sempre em branco por mais que os agendemos no anterior. e isso é, sem dúvida, a maior beleza da vida.

viver é, já não tenho dúvidas - nem dívidas -, sentir os dias envoltos em mistério.

domingo, 21 de junho de 2015

entristece. entristece perceber que perante a escolha acertada em liberdade as pessoas preferem as regras impostas. e isso nota-se claramente em uma simples acção de formação. mas é assim também na vida: o chicote, ai! o chicote!, é o eleito porque simplesmente saber viver em liberdade parece ser difícil. muito. que tristeza.

quarta-feira, 10 de junho de 2015

cretinos: coisa leve

quer dizer, lemos e lembramos - é também para isso que servem as leituras. levam-nos para longe ou para perto e também para tempos do incerto, o tempo sem tempo carregado de imagens ora nítidas ora que tremem sem descuido. e se a lembrança tem cheiros e cores, a grande maravilha do cérebro, também nos dá o prazer da amargura: prazer porque tê-la é um privilégio e amargura por conta do outro lado do doce sem a qual, a amargura, se torna impossível conhecê-lo. conhecer o doce.

e lembramos. lembramos daquele detalhe que nem sabíamos não ter esquecido. às vezes é um esgar e outras vezes trata-se de um andar. marcou, isso é mais do que certo, quanto mais não seja o chão se se tratou de uma grande patada. e tudo porque acabei de ler um texto sobre crápulas. gostava de lhes chamar cretinos mas, bem visto, os crápulas vão muito mais além e um cretino à beira de um crápula é um menino que canta no coro da igreja da paróquia.

cretinóide, pá, ficas a saber que até te acho piada - leveza em bicos de pé - quando passas bem ao lado de um crápula. .

domingo, 7 de junho de 2015

certeza absoluta

a garganta profunda é já um clássico dos anos setenta que revolucionou a cultura sexual de então. o clitóris da personagem principal situava-se na garganta e, por isso, tenho a certeza de que este espermatozóide aqui em baixo está contra a campanha de exclusão do sexo oral.


sábado, 30 de maio de 2015

e se o ciúme sem doença, picada imprevista de agulha sem dedal, for de roxo paixão? há, ah! se há, mistura, conta de somar, e vão dois, de ternura mais tesão.
e se por entre pingos de esforço, silhueta nobre, se dançarem sonhos que a impossibilidade cobre?

terça-feira, 19 de maio de 2015

esse cara sou eu

a pátria como uma lady laura; o povo preocupado com o que vai contar aos netos acerca das baleia que cruzavam os oceanos; a alegria, além da crise, a buzinar no calhambeque: pi!pi!.
peles arrepiadas e corações erectos, sim, são a prova de que os portugueses não são cornos mansos nem macambúzios e enchem a música de alegria com a alegria que a música lhes diz: esse cara sou eu.
e ignorando o acordo ortográfico, insignificância, Portugal e Brasil mostram que podem ser, cada um em si, um só. quem me dera que o Roberto Carlos me cante, voz de mel e serenidade em bicos de excursos de sabedoria, para sempre.

segunda-feira, 4 de maio de 2015

será que o pós dia da mãe é o da madrasta? E o da véspera, será o da grávida? se calhar bem, amanhã será o dia da avó.

sábado, 25 de abril de 2015

e se em vez de cravos
usássemos todos
e sempre
rosas imperfeitas ao peito - daquelas que são apenas, não decapitadas, semeadas,
o mundo seria um lugar como eu queria, ai! como queria!,
daquele jeito, jeitinho gostoso,
livre e apaixonado, selvagem e amoroso. a preceito.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

contar azulejos

criatividade, talvez, da ordem católica de clausura monástica, Beneditinos, no século doze, no Mosteiro de Tibães.

obs: terá vindo daqui o famoso cliché do mandar alguém, tal e qual como os monges, contar azulejos...


terça-feira, 21 de abril de 2015

:-(


horizonte

diz o google que faz hoje oitenta e um anos que andamos à procura da serpente do Loch Ness. andamos, ouviste bem. para uns, a serpente é a felicidade metida em um cesto ao estilo cabaz de natal; para outros será o AmOr; há também aqueles que transpiram pelo sucesso no trabalho. de uma coisa eu sei: entre cépticos e crentes não há alguém que escape na procura da serpente - uma serpente que é sempre um monstro, tal o tamanho extraordinário, o tamanho que lhes dá sentido, que ocupa nas nossas vidas.

sexta-feira, 17 de abril de 2015

o merdas, cognome do ministro da saúde

o serviço nacional de saúde é altamente progressista e espelha o desfasamento do actual ministério da saúde perante a realidade: sim, o ministério assumido pelo ministro que acha normal o amontoar de macas - porque são sofisticadas e moderníssimas e isso arrebata na saúde dos cidadãos - nos corredores dos hospitais. e mesmo que tal sinalize com evidência a falta de capacidade de resposta dos profissionais assim como do próprio sistema em si que se traduz, ou vai traduzindo, naquilo que é uma nação doente, a enfermidade paira no ar, uma espécie de poeira invisível, aerossóis de mau estar político e económico e social.

mas voltando à carga do sistema nacional de saúde, a oferta de um aparelho simpático e funcional para os doentes diabéticos é, à primeira vista, um resquício do tal progresso e modernidade de que o merdas do ministro da saúde gosta e tanto exacerba. mas depois, o espanto é total quando percebemos que a prenda que os idosos recebem só é recarregável através de um computador. saberá o ministro da saúde, vulgo merdas, que uma grande fatia da população idosa em Portugal vive em situação de isolamento e de pobreza? e que não se cumprindo, felizmente, estas duas premissas ainda há famílias sem computador em casa - assim como sem saneamento básico?

segunda-feira, 13 de abril de 2015

por isso mesmo, por não haver nem dia nem hora para beijos, hoje é um bom dia para lhe dares um. carnudo. na rotunda da sua boca. fazias-te ao piso molhado, em voltas, sem cuidado, para ires dar, em escalada irracional descendente, ao tal beco sem saída. percebeste bem: esbarra-te todo.

e logo eu que prefiro coisos


domingo, 12 de abril de 2015

boa, rica, maravilhosa, ideia. ainda por cima com riso


qual acordo qual caralhos? despir a antiga ortografia é de uma alienação mental atroz. e depois é ver as palavras decapitadas a esvaírem-se em sangue, escoadas coxas e manetas, ora sem letras - ora sem acentos. bem visto, o novo acordo ortográfico é uma espécie de sociopatia que merece um aviso: cuidado com o que pensa, com o que diz e com o que escreve, os sociopatas andam aí com rede.

quarta-feira, 25 de março de 2015

anos, e ânus, tric-tric

ilustrados

para sempre fica. HH


(...)Durante a primavera inteira aprendo
os trevos, a água sobrenatural, o leve e abstracto
correr do espaço —
e penso que vou dizer algo cheio de razão,
mas quando a sombra cai da curva sôfrega
dos meus lábios, sinto que me faltam
um girassol, uma pedra, uma ave — qualquer
coisa extraordinária.
Porque não sei como dizer-te sem milagres
que dentro de mim é o sol, o fruto,
a criança, a água, o deus, o leite, a mãe,
o amor,
que te procuram.

sexta-feira, 20 de março de 2015

segunda-feira, 9 de março de 2015

Balanço do branco na fotografia


Falar do balanço do branco na fotografia é pensar em um mundo tão vasto quanto a existência e nos paradigmas que, mudando, chegaram à nossa era – a era da fotografia digital que, indubitável e irreversivelmente ampliou o domínio da fotografia.

Nas fotografias andamos à procura da emoção e da animosidade. Curiosamente, há uma trilogia imprescindível nas fotografias desde sempre. Há o assunto, há o interessado no assunto e depois os olhos sobre a mistura do assunto com o interesse: uma significância repleta de branco. E de preto. Bem doseados.

A fotografia nasceu a preto e branco, não esqueçamos, e terá sido, neste contexto de mudança que se aperfeiçoaram técnicas e tecnologias que minimizaram custos, reduziram etapas, aceleraram processos e facilitaram tanto a manipulação como o armazenamento e a reconstrução das imagens. Tudo envolto em um silêncio que fala, que conta, que comunica e que estabelece a ponte da memória com a emoção.

Preto sobre branco – assim tudo começou antes das tonalidades actuais que nos oferecem as imagens coloridas da realidade. Mas terá a fotografia colorida o mesmo alcance dinâmico do que as pioneiras a preto e branco?

Balanço do branco na fotografia, uma questão de caça aos detalhes

Uma câmara fotográfica, todos o sabemos de uma forma mais ou menos leiga, capta uma faixa de luminância que mais não é do que o tal alcance dinâmico. O ideal será, pois, agarrar os detalhes e as subtilezas do ambiente que se pretende captar doseando o preto e o branco. Acabamos, mesmo agora, caso não tenha dado por isso, de dar a definição de uma boa câmara fotográfica e também do que será tirar uma boa fotografia…

Tudo se resume, bem visto, à utilização da luz e da sombra – uma espécie de filigrana – que se reflecte, pelo olhar, nos olhos. E independentemente da tecnologia utilizada quer nas mais recentes fotografias coloridas, quer nas tradicionais e apaixonantes a preto e branco será o alcance dinâmico que permite criar – e recriar – os mais artísticos efeitos estéticos que passam, agora já não temos dúvidas, pelo balanço também do branco na fotografia. Porque o branco faz toda a diferença.

Uma dose certa de branco na memória: não, não há paradoxo

São as fotografias que tantas vezes nos aquecem a memória – trazem-nos tanto os presentes como os ausentes. Com as fotografias perpetuamos instantes sempre com a dose certa de branco, e de preto, para que não escapem nem os detalhes nem a proximidade que queremos manter e conservar.


Há uma espécie de prolongamento da vida na imagem que queremos ver a ficar. Sublimada. E a imagem que fica, a memória, liga o presente ao passado e ao futuro. Nada fica em branco quando o balanço do branco na fotografia é o ideal: não há paradoxo, portanto, naquele salto que é o momento em que a realidade é captada e o presente de contemplação da imagem, aquela maravilha – espécie de milagre - de unir o antes com o agora e o depois com a dose certa de prazer. E de branco.


Bela Paisagem de Branco Caiada: Expedições ao Árctico

Bela Paisagem de Branco Caiada: Expedições ao Árctico

domingo, 15 de fevereiro de 2015

há coisas do caraças. se olharmos para o ponto vermelho que está no nariz da rapariga durante meio minuto e logo de seguida olharmos para um tecto ou uma parede branca - conseguimos vê-la na perfeição e a cores. ah!


quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

então, byte byte coração

ja não está a escaldar, porque tem uns dias, mas quentinha fica sempre que sai. e depois é ver, entre tanta paisagem, como bytar é fazer bater o coração pela arte criativa - uma forma de mostrar o amor. o amor pela arte.
não sermos entendidos naquilo que é a nossa mais fiel forma de vermos, pensarmos e sentirmos o mundo é das piores fatalidades que existe. porque é como se não existíssemos.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

em uma ilha absolutamente deserta, antes a internet era uma espécie de fogueira onde sozinha me sentava a contar os sonhos. agora já nem isso é.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

parei a riso, montes de riso, quando a escrever sobre luas-de-mel dei por mim a ter um monólogo completamente reaccionário. a conversa já ia na invenção do mercado, completamente o contrário de onde terá surgido o cliché, sim porque a lua-de-mel é um cliché, debaixo das luas no mês e a beber mel era como ficavam os casais recém casados e escondidinhos do mundo na Roma Antiga. e eu acredito muito em luas-de-mel, ai se acredito!, mas a tempo inteiro sem que a inteirice não exclua o fel e com ele saiba bem estar.

e depois do riso, ora assim a agência de viagem em vez de vender viagens passaria a vender a ideia de antítese, pensei seriamente no quanto um bom copywriter tem também de ser um bom actor de ideias. e lá fiz um texto coberto de luas e de mel, à moda antiga romana, porém com uma nuance completamente actual: um destino que, fora da Europa, talvez seja um bom local para fazer crescer a família. uma pitada de emigração misturada com lua de mel será uma inovação regada a doce. falar de falsos casais e de falsos tesões e de falsas sociedades é que não podia ser...porque o que faz vender viagens é, não a realidade lunar, a ilusão.


sábado, 31 de janeiro de 2015

pensando bem é mesmo isto que saiu da boca do coração: os pêlos púbicos são os aperaltes das claves de sol dos homens e das mulheres. vivam os pêlos púbicos!

sábado, 24 de janeiro de 2015

por extenso, em rendinhas nos olhos, o intenso




isto é literalmente a lógica da batata - e da contraproducência. é uma dica de sobrevivência que dá vontade de rir: o rapaz leva uma batata e um ovo para o monte mas esquece-se do tacho e, ainda assim, acha que mata a fome com o truque depois de demorar, entre os preparos e a confecção da delícia minguada, mais de meia hora.


terça-feira, 20 de janeiro de 2015

sábado, 17 de janeiro de 2015

ai o sono!

shoular

hoje lembrei-me da Shou, uma colega de escola dos anos noventa. sempre pensei que a Shou um dia seria realizadora de cinema, não pelas narrativas em si que escrevia mas porque eram altamente visuais. porém, entediavam-me: o seu erotismo, pornográfico de tão visual, ia sempre dar a uma trancada encostada à parede de um beco sem saída. a Shou chinesa era filha de chineses que tinham, na altura, um restaurante em Passos Manuel bem próximo da escola onde estudávamos. e enquanto outras se derretiam nas fantasias que a Shou lia em alta voz eu preferia sempre escapar-me para a cozinha do restaurante - ia atrás dos bastidores daquele cheiro que me perturbava tanto mal entrávamos durante as pausas mais longas das aulas. a Shou tinha uma irmã pequena muito interessante: não só tinha os olhos em bico como os usava em bicos de curiosidade perante as bonecas que fazia questão de banhar na pia da louça que ia chegando das mesas. um verdadeiro nojo em que a gordura dos pratos se misturava com as cabeleiras das barbies e com as mãos da Shouzinha. e é Shouzinha porque não me lembro do nome dela - nem do nome dela, nem de matrículas de automóveis nem de números de telefone e nem dos autores dos livros que já li.

e hoje lembrei-me da Shou, do que será feito da Shou, porque de manhã cedo, não sei como nem porquê, entrou-me pelo nariz o cheiro perturbador do restaurante dela. de qualquer forma foi bom lembrar.

amorer


quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

donnez moi du feu

john koch




está explicada a minha falta de sucesso


tendências sexuais para 2015? mas o que é isto? então o tesão pelo outro, ou por si mesmo, tesão à séria que pouco ou nada tem que ver com artifícios ou meros estados de espírito ou de biologia, não tem de ser absolutamente natural e espontâneo? há coisa mais ecológica do que isso?

é por isso que o mundo é um caos: a energia sexual, poderosíssima e importantíssima, marada anda por aí à solta e em cruzamento...